CEO da Anthropic vai se reunir com Trump em meio à crescente preocupação com a segurança da IA - O GLOBO
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, deve jantar com o presidente Donald Trump na noite deste domingo, segundo fontes familiriazadas com o assunto. O encontro reunirá dois homens em lados opostos do debate sobre a segurança da inteligência artificial.
O jantar seria a primeira conversa reservada entre Amodei e Trump após meses de relações turbulentas entre o executivo e o governo. As tensões aumentaram durante uma disputa contratual acirrada com o pentágono no início deste ano e se aprofundaram quando o Departamento de Comércio impôs, por um breve período em junho, controles de exportação sobre o Mythos, modelo inovador da Anthropic.
Não está claro o que os dois vão discutir. As fontes confirmaram o encontro sob condição de anonimato, por se tratar de um planejamento confidencial. O site de notíciaAxios noticiou o jantar anteriormente Porta-vozes da Anthropic e da Casa Branca não responderam ao pedidos para comentar o assunto.
A reunião acontece em um cenário de crescente preocupação global com a segurança da IA, após uma série de violações de segurança de grande repercussão cometidas por modelos de ponta. Entre elas, está a revelação feita pela OpenAI na semana passada de que seus modelos invadiram um site do governo australiano no início deste ano. Os chefes das empresas de inteligência artificial OpenAI e Anthropic foram convocados a comparecer a uma comissão de investigação do Senado australiano para responder a perguntas após o ataque racker. Esses episódios alimentaram pedidos de novos padrões para a IA por parte de parlamentares americanos e de muitos nomes da indústria de tecnologia.
Amodei e Trump assumiram posições radicalmente diferentes sobre as ameaças representadas pela IA. O chefe da Anthropic levou o debate sobre segurança ao grande público com um artigo publicado em 12 de setembro, no qual alerta para os riscos existenciais da IA e defende mais regulação da tecnologia. Ele também prometeu desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais avançados, compromisso que foi adotado por seus rivais Sam Altman, CEO da OpenAI, e Elon Musk, fundador da SpaceXAI.
Trump, por outro lado, menosprezou esses temores apocalípticos como "uma farsa" e rejeitou os apelos por mais coordenação internacional sobre IA, que classificou como "uma conspiração globalista". Após o ensaio de Amodei, o presidente fez uma série de postagens nas redes sociais contra qualquer desaceleração no desenvolvimento da IA, uma delas citando diretamente o chefe da Anthropic. A divergência eleva consideravelmente o peso do jantar de domingo.
Sinalizando o atrito entre a Anthropic e o governo, Amodei foi um dos poucos CEOs de destaque do Vale do Silício a não comparecer ao jantar de Estado oferecido na Casa Branca na quinta-feira em homenagem ao líder chinês Xi Jinping, em visita ao país. Entre os presentes, estavam Altman e Musk, além de Jensen Huang, CEO da Nvidia, cujos chips ajudaram a impulsionar o crescimento da indústria de IA.
O jantar entre Amodei e Trump também acontece dias antes de o presidente receber Musk e Huang de volta a Washington para um evento de lançamento de um novo site do governo movido a IA. Tom Brown, cofundador da Anthropic que atuou como interlocutor da empresa nas negociações com o Pentágono e o Departamento de Comércio, também está entre os executivos que devem participar da inauguração na terça-feira.
Também na terça, Trump e o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, devem receber um encontro separado de CEOs de empresas de IA. Nas últimas semanas, parlamentares americanos têm manifestado cada vez mais preocupação com a segurança dos modelos de IA e apresentado propostas que incluem testes obrigatórios de novos sistemas e maior transparência sobre os riscos.
A pressão por mais salvaguardas tem enfrentado resistência de Trump e de seus principais assessores, que afirmam que vão se opor a qualquer medida que desacelere o desenvolvimento da IA. Trump tornou a tecnologia central em sua agenda econômica e insiste que os EUA mantenham a liderança sobre a China. Em vez de novas regras, o presidente e seus conselheiros defendem que as empresas sejam responsabilizadas individualmente pelas tecnologias que lançam.

